UM REGISTRO SOBRE O MESTRE JOSÉ FRANCISCO DA ROCHA

Valtênio Paes de Oliveira

Carinhosamente chamado de Rochinha, José Francisco da Rocha ocupa atualmente a Cadeira Número Dois da Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras, cujo patrono é Álvaro Fontes da Silva. Natural de Cedro de São João, Sergipe, nascido em 07 de novembro de 1929, casado, funcionário público, advogado, professor da Universidade Federal de Sergipe, magistrado, foi Secretário de Estado da Justiça, diretor presidente do Departamento Administrativo do Estado de Sergipe. Exerceu por dois mandatos as funções de Presidente do Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado de Sergipe, foi juiz eleitoral junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe, TRE, por seis mandatos. Professor da Universidade Tiradentes, UNIT, Grande Secretário Geral de Educação e Cultura do Grande Oriente, presidente da Junta Comercial de Sergipe, presidente do Conselho Penitenciário do Estado de Sergipe, diretor do Asilo Rio Branco e membro ativo da Loja Cotinguiba, exercendo atualmente a oratória. Todos os cargos exercidos com zelo, competência, dignidade e amor à coisa pública.
Iniciado na Maçonaria, Loja Simbólica Cotinguiba, em 29.01.1949, atingiu a plenitude maçônica nos graus filosóficos. Foi secretário, Orador, Mestre de Cerimônia, Vigilante, Venerável por seis mandatos na mencionada Loja, Grande Procurador do GOESE, presidente da Comissão de Justiça e Procurador de Justiça do GOESE, membro do Conselho de Família, Membro Honorário das Lojas Piauhytinga, Clodomir Silva, Eleotério Luiz Bonfim, Professor Alencar Cardoso, fundador das Lojas Lealdade Cotinguibense e Marcos Ferreira de Jesus, Venerável Mestre da Benemérita Loja Capitular Cotinguiba, nº 133, fundador da Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras. Elevado ao Grau Dois, em 20/04/1949. Exaltado ao Grau Três, em 21/05/1949, Mestre Instalado em 20/03/1970. Alcançou na Ordem o Grau trinta e três. Na Maçonaria, possui ainda os títulos de Remido, Medalha do Centenário da República do Grande Oriente do Brasil, Benemérito da Ordem, Grande Benemérito da Ordem, Cruz da Perfeição Maçônica, Ordem do Mérito Clodomir Silva e Comendador da Ordem do Mérito Dom Pedro I.
Atuou junto ao Grande Oriente do Brasil para criação do Grande Oriente do Estado de Sergipe, via Emenda Constitucional que reduziu a exigência de 13 para 07, número de Lojas necessário para criação de um Grande Oriente Estadual, fator decisivo para a criação do GOB Sergipe. Ampliou o patrimônio de sua Loja mãe com a aquisição de imóvel vizinho, idealizador da participação na administração do Asilo Rio Branco, antigo Asilo de Mendicidade Rio Branco, sendo marcante a defesa jurídica em processo de usucapião do prédio da Loja Cotinguiba e defesa do Asilo Rio Branco contra pedido de desapropriação da Petrobras.
Numa ação histórica para o trabalhador sergipano, promoveu através da Maçonaria negociações institucionais com a Igreja Católica, resultando na aquisição de imóvel rural, a Fazenda Reconciliação de Divina Pastora, através da PROHCASE, promoção do Homem do Campo, Sergipe, conforme registro no Primeiro Ofício de Aracaju. Consequente e inédito para as relações à época das duas instituições, o representante da Igreja, Dom Luciano Cabral Duarte, palestrou na Loja Cotinguiba sob sua coordenação.
No deleite de uma conversa informal com o Mestre Rochinha, sempre acontece um passeio por Cedro de São João, por Japaratuba, por Aracaju, até pela Alemanha, permitindo nos um bálsamo de histórias e estórias que partem de fazendas em Japaratuba, inspiradas em Toel da Jurema e a Moitinha do Amor, o rábula Dudu da Capela, até chegarem aos expoentes do direito brasileiro como Rui Barbosa, Sílvio Romero, Gumercindo Bessa, Tobias Barreto e Sobral Pinto, dentre outros. Com certeza que, se não fosse advogado, seria médico cirurgião. Tornou se advogado na segunda turma da Faculdade de Direito de Sergipe e um dos expoentes do Direito Comercial em Sergipe. Ao lembrar a sensação de ter entrado na Maçonaria, aos 71 anos de atuação na instituição, reitera:
“Nunca me decepcionei com a Ordem, é muito bonita, gosto muito, o que precisa é cautela, tenho medo de certas iniciações”.
Falecido em 31.12.25 prestes a completar seu centenário . Honrou a maçonaria, orgulho da instituição pelo trabalho profícuo e atuação exemplar .

Texto revisto do original publicado pgs 135 136 no livro Maçonaria Para Todos I em 2020