Livro celebra diálogo inédito entre Dom Luciano e a Maçonaria

Lançado no dia 28 de abril o livro “Dom Luciano e a Maçonaria – A Reconciliação”, de Antonio Fontes Freitas, celebra a trajetória extraordinária de Dom Luciano José Cabral Duarte, eterno arcebispo de Aracaju e um dos mais notáveis oradores sacros do Brasil, destacando sua inédita e corajosa atuação no diálogo entre a fé católica e a Maçonaria.

Antonio Fontes Freitas mergulha nos marcos históricos da vida de Dom Luciano, como suas célebres conferências na Loja Maçônica Cotinguiba (1968 e 1972), sua influência na fundação da Universidade Federal de Sergipe, e o desenvolvimento do projeto PRHOCASE, voltado à reforma agrária no Vale do Cotinguiba. A obra revela um líder visionário, que soube romper barreiras e propor uma reconciliação entre instituições historicamente distantes.

Além de homenagear esse legado, o evento de lançamento foi um gesto de solidariedade: toda a renda será revertida ao Lar de Idosos Isaias Gileno Barreto, em São Cristóvão, reafirmando o espírito humanitário que guiou tanto Dom Luciano quanto o autor da obra.

“Estamos comemorando o centenário de nascimento do eterno arcebispo Dom Luciano José Cabral Duarte, tido como um dos maiores oradores sacros do Brasil. Como padre, ele sempre esteve à frente do seu tempo, não limitando sua vida sacerdotal ao ofício de sua Igreja, a Capela do São Salvador, localizada no calçadão da Rua Laranjeiras. Ele desenvolveu outras atividades no cenário sergipano, brasileiro e em nível internacional. Criou e coordenou vários programas sociais, a exemplo do PRHOCASE, uma reforma agrária destinada a atender as populações pobres do Vale do Cotinguiba. Esse programa não se limitava à simples distribuição de terras, pois incluía atividades sociais diversas, incluindo a educação.

Em relação à Maçonaria, ele foi o primeiro bispo da Igreja Católica a falar para os maçons e para a sociedade na Loja Maçônica Cotinguiba, em um período em que as relações entre as instituições sofriam enormes restrições por parte do Vaticano, que chegou ao extremo da excomunhão dos maçons.

A Loja Cotinguiba foi o palco da presença de Dom Luciano em dois momentos: o primeiro em 1968, após receber autorização da Santa Sé para fazer uma conferência na loja, que se tornou um evento com reflexos no Brasil e no mundo. Num segundo momento, Dom Luciano voltou a fazer outra conferência, desta vez durante as comemorações do centenário da Loja Cotinguiba, em 1972.

Outro fato que merece destaque foi a criação da Fundação Universidade Federal de Sergipe, em 1967, entidade mantendo-a da nossa UFS.

As comemorações do centenário de nascimento de Dom Luciano começaram com um grupo de amigos, sob a coordenação da Academia Sergipana de Letras, onde ele foi acadêmico por muitos anos.”

Texto de autoria do professor Antônio Fontes Freitas.